Uma reunião na noite de quarta-feira pode alterar completamente o rumo da eleição no Palmeiras. Histórico movimento de oposição a Mustafá Contursi, o Muda Palmeiras decidiu promover sabatina entre os candidatos à presidência, Salvador Hugo Palaia e Paulo Nobre, que lançou seu nome à sucessão de Luiz Gonzaga Belluzzo há dois dias. A decisão é simbólica, porque pode inviabilizar a candidatura de Palaia, caso este não receba o apoio do grupo. E pode transformar Paulo Nobre em favorito à eleição, se este receber o apoio incondicional do movimento: “A reunião teve a presença de 45 conselheiros. Decidimos convidar separadamente Paulo Nobre e Salvador Hubo Palaia para uma sabatina, antes de decidir o apoio. Ficou descartado o apoio a Arnaldo Tirone”, diz o atual diretor de futebol, Wlademir Pescarmona, referindo-se à candidatura apoiada pelos ex-presidentes Mustafá Contursi, Afonso Della Monica e Carlos Facchina.

O Movimento Muda Palmeiras nasceu no final dos anos 90, como oposição a Mustafá Contursi, pouco depois de o antigo presidente alterar o estatuto, romper o acordo eleitoral com seu vice, Serafim Del Grande, e inaugurar seu terceiro mandato. Histórico, o grupo tinha entre seus líderes Serafim Del Grande e Gilberto Cipullo e acolheu Luiz Gonzaga Belluzzo em 2002. Mas rachou justamente durante a gestão Luiz Gonzaga Belluzzo, entre críticas ao departamento de futebol, conduzido por Cipullo. Rompeu de vez quando Belluzzo licenciou-se, o interino Salvador Hugo Palaia assumiu e indicou para o cargo membros históricos do Muda Palmeiras, como o atual diretor de futebol Wlademir Pescarmona.

O apoio de Pescarmona às mudanças no departamento de futebol transformou a rachadura em ruptura. Pescarmona seguiu tratando o Muda Palmeiras como um movimento insolúvel, mas sabia que Serafim Del Grande e Gilberto Cipullo não consideravam mais a união dessa chapa. Especialmente porque a aparente de decisão do Muda Palmeiras seria apoiar Salvador Hugo Palaia, condição impensável para Del Grande, Cipullo e para o ex-diretor de futebol Savério Orlandi.

Na terça-feira, Paulo Nobre lançou sua candidatura. Antes ligado a Luiz Gonzaga Belluzzo, Nobre é um dos líderes do movimento chamado “Verdes Escuros”, que pretende a profissionalização do futebol do clube. “É preciso que os dirigentes vivam de seus salários, trabalhem como executivos e tenham bônus pelos resultados obtidos, como nas grandes empresas”, defende Nobre. A candidatura de Paulo Nobre é independente, mas é sabido que fundadores do Muda Palmeiras, como Serafim Del Grande, Gilberto Cipullo e Savério Orlandi vão apoiá-la.

A novidade é a possível adesão do que restou do Muda Palmeiras. Há dois meses, em meio à crise política, Wlademir Pescarmona ainda acreditava na união da velha oposição a Mustafá Contursi. Famoso por querer dar W.O. contra o Fluminense, Pescarmona, na época, cunhou uma frase muito mais feliz: “Unida, a situação (o grupo dele) não perde nem para a Dilma”, afirmou.

A união, neste caso, só se dará com o apoio do Muda Palmeiras a Paulo Nobre, que parecia impossível há dois dias.

 Fonte: PVC – ESPN

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