Três rivais e o mesmo desafio: emplacar sucessores da situação na presidência. Corinthians, Palmeiras e São Paulo têm eleições neste ano. Os atuais mandatários, por preferência ou proibição, não devem seguir no poder. E encontram dificuldades, algumas como consequências de suas próprias posturas, para emplacar um nome que mantenha a política vigente e não dê força para a oposição.

Em menor ou maior intensidade, Palmeiras, Corinthians e São Paulo começaram 2011 respirando política. É inevitável que as disputas pelo poder tenham reflexo no futebol do trio-de-ferro.

Apesar de Andrés Sanchez ainda ter um ano inteiro de mandato, o time corintiano já poderá começar a sentir os efeitos colaterais da eleição. Principalmente porque Roberto de Andrade, novo diretor de futebol, é cotado para ser candidato da situação. Natural que ele sofra ataques de seus concorrentes. E não existe uma forma de miná-lo sem atingir o futebol.
Andrés Sanchez, Juvenal Juvêncio e Luiz Gonzaga Belluzzo não conseguiram engatilhar sucessores que cheguem aos pleitos com a mesma força que o trio desfruta em Corinthians, São Paulo e Palmeiras, respectivamente. As oposições se animam com o cenário.

As causas são distintas. No Palmeiras, Belluzzo assumiu o cargo como símbolo de uma política organizada e profissional. Os resultados, contudo, foram desastrosos. Aos poucos, fracassos dentro de campo minaram a confiança antes depositada no renomado economista. Nem contratações de peso (Muricy Ramalho, Felipão, Valdivia, Kléber…) foram suficientes para amenizar a queda de prestígio.

Resultado: os dois candidatos da situação, Paulo Nobre e Salvador Hugo Palaia, dividem votos na disputada eleição que acontece no dia 19 de janeiro. Um não admite apoiar o outro. Palaia até elogiou propostas do oposicionista Arnaldo Tirone Junior. E Belluzzo evita assumir quem apoiará. O fato de o presidente ter comandado o clube com ajuda de sócios que não são conselheiros também dificultou a formação de um substituto natural.

Situação dividida, oposição fortalecida e o grupo de Belluzzo vê aumentar a chance de se distanciar do poder pelos próximos dois anos. “O próprio Belluzzo a gente achava que poderia ser candidato, mas com o problema de saúde, ele também ficou com medo de se candidatar. Aí ficou indefinido. Acho que o Belluzzo tentou fazer uma composição entre o Palaia e o Paulo Nobre”, analisou Tirone, favorecido com a briga entre os rivais.

O São Paulo também sente a temperatura aumentar a cada semana. O pleito tricolor será em abril. E o centralizador Juvenal Juvêncio ainda não descartou tentar a terceira vitória consecutiva, apoiando-se em brecha legal para driblar o estatuto que ele mesmo alterou há pouco (aumentando o mandato de dois para três anos e gerando grande polêmica).
Juvenal e alguns de seus aliados alegam que o primeiro mandato foi cumprido antes da mudança do estatuto, que permite no máximo dois ciclos seguidos. Ou seja, o atual seria o primeiro e ele poderia concorrer normalmente em abril. A oposição chia e promete até acionar a Justiça.

Mas o fato é que Juvenal cogita tal empreitada por saber que nenhum de seus sucessores naturais tem grande poder. Reflexo da centralização do poder em sua administração. Ele participa ativamente de todas as negociações, tem sempre a última palavra e defende posturas políticas de maneira enfática. Tornou-se, inclusive, desafeto de CBF e federação paulista.
João Paulo de Jesus Lopes (diretor de futebol) e Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco (vice de futebol), são os principais nomes e encontram resistência no Morumbi. Mesmo assim, um deles deve conseguir assumir a presidência se Juvenal desistir do discutível terceiro mandato. Júlio Casares, do marketing, teve o nome ventilado, mas a iniciativa não vingou por ele ser considerado muito novo pelos conselheiros mais tradicionais.

“Essa é uma questão que ainda não está definida [candidato]. Apoiaremos a decisão do Juvenal”, resumiu João Paulo de Jesus Lopes, político, negando que tenha a intenção de concorrer à presidência.

O Corinthians também tem suas particularidades. E a falta de um sucessor com grande peso político se deve à força que a figura de Andrés Sanchez acumulou nos últimos anos. Ele também mostrou um lado centralizador ao assumir a função do então gerente Antônio Carlos Zago nas contratações, soube capitalizar a seu favor contratações como Ronaldo e Roberto Carlos e ainda se apoiou no avanço estrutural (CT e projeto do estádio).

Mário Gobbi Filho, seu diretor de futebol nos títulos da Série B, Paulista e Copa do Brasil, ficou na sombra de Andrés e sentiu o peso da imagem do presidente. Deixou sua função neste ano e cogita sair candidato em dezembro. Seu possível rival como nome da situação é Roberto de Andrade, atual diretor de futebol. Mas tudo ainda depende do que acontecer na temporada 2011.

André Luiz de Oliveira, o André Negão, é um dos homens de confiança de Andrés e corre por fora. Ele foi um dos principais cabos-eleitorais do presidente e ganhou força no clube. A oposição aposta que ele baterá o pé para ser candidato, rachando a situação, e por isso já começou uma aproximação. Enquanto isso, o pré-candidato oposicionista Paulo Garcia já está em campanha.

O fato é que, por enquanto, nenhum deles concentra a mesma influência de Andrés Sanchez. O atual mandatário conquistou muita força nos bastidores. Tornou-se um grande aliado de Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do comitê organizador da Copa-2014, chefiou a seleção na África do Sul e conseguiu dar um grande passo para emplacar o estádio de Itaquera como palco da abertura do próximo Mundial. Quem o sucederá ninguém sabe. Algo bastante comum entre o trio de ferro paulista neste ano.

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