Dia 19 de janeiro de 2011. Outro dia muito importante na história do Palmeiras. Aliás, todos os dias que marcam a eleição de um novo presidente no clube são importantíssimos. Apesar da data não ser nem um pouco atrativa, visto que impede o governo anterior de contratar atletas e se planejar, as eleições merecem bastante destaque e a atenção do torcedor.

Já discutimos aqui no POL várias vezes sobre os candidatos. É notável que ambos os três são palmeirenses e tem amor incondicional pelo clube.  Salvador Hugo Palaia, Paulo Nobre e Arnaldo Tirone vão disputar um pleito difícil e complicado. O próximo presidente terá diversos desafios, e o principal deles será limpar o terreno financeiro do clube, totalmente prejudicado pelas boas intenções de Luiz Gonzaga Belluzzo.

Para alcançarmos o prisma ideal, vamos analisar como foi o governo passado. Belluzzo assumiu a presidência após disputar as eleições com Roberto Frizzo, candidato da oposição. Porém Belluzzo não queria ser candidato, mas acabou convencido pela ala do Muda Palmeiras, que considerou o economista como principal nome no clube, principalmente pelos contatos que tem como profissional.

Belluzzo então começou com seus erros ali: assumir o clube sem vontade, “deixando para depois” as emoções de um cargo desse porte. Nas reuniões promovidas pelo Muda Palmeiras antes das eleições, Belluzzo tinha todas as soluções para transformar o Palmeiras em um grande clube novamente. Em um clube reforçado financeiramente, com verdadeiros pilares de sustentação envolvendo categorias de base, excelentes nomes na diretoria e consequentemente marketing, fonte-mor geradora de receitas.

Como não tinha condições de vencer sozinho, Belluzzo e o Muda Palmeiras costuraram parcerias dentro do clube. Dentre elas, com Salvador Hugo Palaia, detentor de 20 votos garantidos. Palaia aceitou o convite e se tornou primeiro vice presidente de Belluzzo, “transferindo” os votos para o economista. E foram exatamente esses votos que decretaram a vitória sobre Frizzo.

Belluzzo compôs a diretoria de futebol com Gilberto Cipullo, Genaro Marino, Savério Orlandi e acabou contratando Toninho Cecílio como gerente. Em 2009, primeiro ano de mandato, o time até que não foi mal nos campeonatos, mas acabou passando sem título. Os investimentos altos e a derrocada derradeira no Brasileiro daquele ano trouxeram sérios transtornos para a administração. Belluzzo então mudou a estratégia e começou a investir desesperadamente, gastando todos os cartuchos do clube para tentar reverter a situação perante os sócios e torcedores.

Algumas reformas equivocadas foram feitas no clube, que já teria uma grande demolição visando a construção da Arena Palestra, pela WTorre. A gastança chamou a atenção da oposição, que começou a crescer em cima dos questionamentos constantes. A própria Arena Palestra Itália só saiu do papel porque torcedores, sócios e conselheiros do clube se envolveram com o projeto e conseguiram o aval do prefeito Gilberto Kassab sobre as liberações burocráticas de um projeto como esse.

Foram por essas e outras que a imagem de Belluzzo acabou ficando desgastada. E consequentemente o Muda Palmeiras acabou ruindo, principalmente depois que Wlademir Pescarmona assumiu a diretoria de futebol – com o licenciamento de Belluzzo por problemas de saúde – sem avisar nenhum dos seus correligionários. Diretores e conselheiros do clube acabaram “abandonando” suas funções em protesto por conta da falta de retorno e satsifação de Pescarmona, considerado um dos grandes nomes no clube. Pescarmona deu jeito na administração do clube no geral, mas acabou não dando certo no futebol por conta do seu jeito explosivo e torcedor de ser. Os próprios jogadores não aprovaram a forma que foram abordados pelo então diretor de futebol.

Em relação à isso, nenhum dos dois candidatos da situação quiseram mesmo ser da “situação”, justamente por conta da péssima administração Belluzzo e cia. O próprio Salvador Hugo Palaia se rebelou e afirmou por diversas ter sido traído pelo economista. Paulo Nobre, empresário e considerado o candidato mais preparado, considera sua candidatura como “terceira via” no clube. Ou seja, para não aderir a imagem da fracassada situação, ambos candidatos optaram por sinônimos “diferentes”, se é que isso existe.

Diante desse cenário, as eleições ocorrem nesta noite, com a participação eleitoreira de 285 conselheiros eleitos. Paulo Nobre deverá ser o próximo presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras. Palaia se queimou totalmente ao fazer críticas sem fundamento e Tirone acabou revelando sua parceria obscura com o ex-presidente Mustafá Contursi, figura opaca dentro das Alamedas do Palestra Itália principalmente pelos resultados em campo.

Os obstáculos que Nobre terá que enfrentar serão, principalmente:

– A reengenharia financeira do clube. Apertar os custos e aumentar as receitas em cima do marketing e de outros planos.

– O acompanhamento das categorias de base. Segundo o próprio Nobre confirmou, alguns ídolos do passado deverão participar desse processo.

– Ações para reaproximar a torcida do clube, visto que os últimos resultados definitivamente desanimaram grande parte da nação.

– A possibilidade de estudar as autorizações para as eleições diretas, reforma profundamente importante no clube, onde a centralização dos votos definitivamente acabará. O presidente não será escolhido somente por 285 conselheiros, e sim por seus associados.

Paulo Nobre também costurou parcerias, mas esperamos sinceramente que o candidato eleito seja consciente na hora da distribuição de cargos. No Palmeiras sempre prevaleceu a “carteirinha”, e não a competência para tal função. As funções devem ser cobradas com base em resultados e entregas. Caso contrário continuaremos naquela: os diretores fingem que trabalha, e o clube finge que é transparente e tem resultado.

Boa sorte à todos os candidatos e que tudo dê certo na noite de hoje. Que o melhor seja escolhido e que o próximo presidente entenda que o Palmeiras precisa de muito mais atenção e preparo.

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