A Mancha Alvi Verde, mais uma vez, é banida dos estádios por conta de confusão diante de Policiais Militares despreparados em Presidente Prudente.

A Federação Paulista de Futebol anunciou o banimento da Torcida Mancha Alvi Verde dos estádios paulistas até que a briga com os PMs, em Presidente Prudente, antes do clássico contra o Corinthians, seja apurada mais de perto pelos “órgãos competentes”.

Antes mesmo de comentar o assunto do domingo, temos que dar um parênteses para uma situação ocorrida no sábado à noite. Douglas Silva, de 27 anos, resolveu assistir o UFC (competição de lutas que foi sediado no Rio de Janeiro) na quadra da Gaviões da Fiel. O torneio foi transmitido lá porque o lutador Anderson Silva é patrocinado pelo Corinthians e pela agência de marketing do ex-jogador Ronaldo. Existe uma suposta informação que integrantes da torcida alvinegra e da Mancha Alvi Verde marcaram um encontro pela internet para brigar nas intermediações da Avenida Inajar de Souza, na Freguesia do Ó. Para quem não tem conhecimento, essa avenida começa assim que termina a Ponte da Freguesia, que cobre a Marginal Tietê naquele trecho.

Douglas ficou sabendo e foi ao encontro dos palmeirenses. Ao chegar lá, já existia uma confusão generalizada. Os corintianos levaram o prejuízo e fugiram. Já Douglas ficou pelo caminho e foi agredido, estrangulado, morto e jogado no Rio Tietê. Pelo menos são essas as informações publicadas. Depois de encontrado o corpo, a Polícia divulgou que Silva estava proibido de sair de casa após às 10h por estar em regime penitenciário semi-aberto por furto e roubo. Logo, ele não foi até o local da possível briga para jogar pétalas de rosa e impedir o ocorrido.

O curioso é que na mesma hora a Mancha estava fazendo uma confraternização em uma quadra na Barra Funda, e convidou integrantes da diretoria da torcida alvinegra, demonstrando assim um clima de amistosidade entre as partes. O presidente da torcida, André Guerra, nem na Capital paulista estava, tirando qualquer responsabilidade de comando da ação, se assim fosse.

No domingo, muitos palmeirenses sócios do clube e internautas que visitam o POL foram para Presidente Prudente acompanhar a partida. Antes do derby, uma confusão generalizada se iniciou fora do estádio. A Polícia Militar, totalmente despreparada, disparou tiros calibre 12 para cima da torcida, e o resultado foram dois feridos. Um deles, atingido perto do glúteo, está em estado grave no Hospital local. A Mancha não confirma o motivo do início da briga, mas palmeirenses presentes enviaram emails para nossa redação confirmando a truculência dos polícias ao lidar com torcedores, ao promover uma mudança de lugar dos palmeirenses e na maneira como eram dadas as orientações de segurança, totalmente concretizadas com falta de educação e respeito. Isso não é novidade para ninguém!

No início da semana, a Federação Paulista de Futebol, na figura do seu presidente, Marco Polo Del Nero, confirmou que a Mancha está proibida de entrar nos estádios de São Paulo. A atitude é um tanto quanto radical e também despreparada, espelhando o que é o futebol de São Paulo e sua tamanha desorganização em diversos aspectos (venda de ingressos, segurança, horário, etc). Não devemos entrar no mérito da questão, afinal bandidos, assassinos e gente do mal têm em todos os lugares, principalmente nas corporações militares. Basta ver o caso da juíza no Rio de Janeiro, que denunciava militares corruptos e acabou morta por tiros de balas que vieram de dentro da própria polícia. E todos os polícias foram proibidos de trabalhar por conta disso? Todos os policiais são assassinos? É claro que não.

A Mancha Alvi Verde têm diversos projetos sociais, ações de sustentabilidade e atuações na sociedade. Aliada à escola de samba, que é modelo no carnaval de São Paulo e está bem próxima de conquistar um título, as entidades atuam pelo bem da sociedade e pelo bem comum, promovendo a paz. Uma das ações que mais orgulham a sociedade é a escola de bateria, que não cobra um real e não exige experiência de ninguém, só vontade de aprender. E caso o aluno seja alçado, a fantasia é dada pela própria entidade. Em julho último, a Mancha promoveu em sua quadra a Festa Julina, onde era notório ver as famílias, com crianças, se divertindo à beça e cultuando ainda mais o sentimento pela Mancha.

Quem quiser ter uma camisa da Mancha, basta ir à loja e comprar. E cada um faz o que quer da vida, até matar. Mas nem por isso a entidade deve ser penalizada por anos de trabalho por quatro ou cinco pessoas do mal, que talvez nem associadas à torcida são. É possível pensar e chegar à uma atitude inteligente que não prejudique todo um povo que ama bastante a entidade e trabalha pelo seu sucesso. Nas torcidas têm muito mais gente do bem do que marginais, e isso já está comprovado por diversos fatos expostos. O principal deles é a possível volta das bandeiras de mastro. Seria um tanto não inteligente promover uma briga e morte, jogando todo o trabalho fora, feito junto ao Ministério Público.

As autoridades precisam entender e saber dividir o assunto Torcida. Precisam saber investigar e punir exatamente quem fez o ato, quem matou, quem jogou no Rio. Não se pode taxar toda uma comunidade de “assassina”, tirando o direito de ir e vir vestido como quiser dado pela Constituição Federal.

O Palmeiras Online é totalmente contra a exclusão da Torcida Mancha Alvi Verde dos estádios de São Paulo. Antes mesmo de qualquer investigação e na dúvida, é mais interessante para as autoridades eliminar as festas das arquibancadas. Afinal, dá muito trabalho conferir material de festa, bandeirão. Quem perde é o futebol, quem perde são os torcedores e quem perde é o Brasil. E ainda querem sediar uma Copa do Mundo e ter sucesso.

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