O público multicultural do entorno do Allianz e o mimimi de alguns palmeirenses

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Thiago Gomes
thiago@palmeirasonline.com

Novembro de 2014 foi um marco na história do Palmeiras. Acabou o estádio Palestra Itália e nasceu o Allianz Parque de forma definitiva. O palmeirense teve que colocar na cabeça que a arquibancada de cimento e a bagunça homérica para comprar ingressos finalmente findou.

Com a WTorre administrando a arena e a ex-diretoria arrumando problema atrás de problema (não vou entrar no mérito se estava certa de suas atitudes ou não), o fato é que a disputa pelo local ficou maior. A empresa marca shows em dias de jogos ou em dias que antecedem partidas importantes, e o Palmeiras por respeitar o contrato de 30 anos, tem que mandar suas partidas em outro lugar. Assim será na próxima sexta-feira quando pegaremos o Novorizontino no Pacaembu e se chegarmos em uma eventual final do Estadual (comemorar um título no Pacaembu não será tão ruim. Somos o clube que mais ganhou taças por lá).

A região do entorno do Palmeiras sempre foi muito restrita aos palmeirenses. No antigo estádio era muito raro ter qualquer tipo de evento que não fossem jogos do Verdão. Isso tornou o lugar uma espécie de santuário onde qualquer outro ser é visto com olhos tortos. Nunca vi nenhum caso de violência, mas é bem evidente que o palmeirense fica incomodado com público estranho.

Na entrada da Avenida Francisco Matarazzo, várias barracas se instalaram por lá com fãs obcecadas por Justin Bieber. Antes do Natal, inclusive. Não era raro ver sócios do clube passando pelo local e esbravejando como se ali fosse a construção de favelas em meio à mansões. De fato as adolescentes criaram muitos problemas. O lugar sempre estava sujo de restos de alimentos, papel higiênico e até cheiro de urina fortíssimo. Muita coisa, muito desrespeito por mais de três meses, não é mesmo?

No meio de tanta saia justa, o torcedor palmeirense, sócios do clube e moradores da região estão aprendendo a lidar com um público bastante diversificado. Era possível ver fãs do Justin conversando com pessoas com camisas do Verdão, bares vendendo cervejas para famílias inteiras com metade Justin metade Palmeiras, lojas que vendem camisas faturando alto com gente vestida de preto e assim por diante. Tudo no maior respeito e sob olhares atentos de oficiais da Polícia Militar.

Justin vestiu a camisa do Palmeiras. O que tem de mal nisso?

Outra polêmica invadiu a internet após o primeiro dia de show do ‘garoto problema’. Ao entrar no palco, Justin vestia uma camisa 6 do Palmeiras. Leila Pereira, presidente da Crefisa, deve ter tido diversos orgasmos ao ver sua marca sendo divulgada para o mundo inteiro de modo gratuito. É, precisamos admitir que Justin é um fenômeno internacional e que arrasta multidões por onde passa. No domingo diversos periódicos trouxeram a foto do menino com a nossa camisa. Bom negócio, não é? Para alguns torcedores, não.

Uns mais exaltados rebateram os comentários de José Roberto Lamacchia, marido de Leila, de que estaria ‘pagando muito mais do que a camisa palmeirense de fato valia’. Era possível ver o olhar abstrato de palmeirenses com orgulho após analisar a foto, indicando a camisa do Palmeiras como um enorme pedestal de patrocinadores honrosos.

Para os mais conservadores (que nem de Bieber gostam, óbvio), a exibição foi positiva para o clube. E ponto. Cada um tem seu modo de pensar e avaliar as coisas e isso precisa ser de certa forma respeitado.

Na próxima semana teremos um público diferente. Teremos Elton John e James Taylor, dois grandes nomes da música mundial. E a parcimônia entre os povos na Rua Turiassú (não consigo ainda chamar de Rua Palestra Itália) e Rua Caraíbas deverá prevalecer. Afinal nós somos palmeirenses. E isso basta!

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