‘Sou campeão mundial’, diz último herói do título do Palmeiras de 1951

Ex-atacante Brandãozinho celebra conquistas cujo reconhecimento da Fifa percorre idas e vindas

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SANTOS/SP 09/11/2017 ESPORTES / EXCLUSIVO EMBARGADO / ESPECIAL DOMINICAL - Mundial de 1951 conquistado pelo Palmeiras, mas que não foi reconhecido pela Fifa. NA FOTO, Brandãozinho, o último sobrevivente do time campeão. FOTO TATIANA LAFRAIA/ESTADÃO


O relógio dourado com pulseira de couro marrom de José Carlos Silveira Braga, o Brandãozinho, marca 15h40. A exemplo do que vem acontecendo nos últimos 65 anos, os ponteiros marcam a hora certa. Ao longo de tanto tempo, o objeto ganhou outra dimensão e, por isso, não desgruda do braço fino e forte do ex-atleta de 87 anos. O relógio foi o presente pela conquista da Copa Rio, torneio realizado no País em 1951. Brandãozinho é o último atleta vivo da conquista do Palmeiras.

No primeiro andar de um prédio na região nobre de Santos, Brandãozinho mostra outras coisas que atestam o passado vitorioso no clube. São recortes de jornal, revistas e fotos, organizados por sua mulher, a francesa Suzanne, há mais de seis décadas. Está tudo ali.

As mãos dele estão um pouco trêmulas por causa dos medicamentos após uma cirurgia de catarata. É difícil se sentar na cadeira de balanço. Mas a memória não bambeia. “Até hoje ainda sinto a emoção”, recorda.

A Copa Rio foi um torneio organizado pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) como uma tentativa de resgatar o interesse e a paixão dos brasileiros pelo futebol depois do desastre da Copa de 1950, quando o Brasil foi derrotado em casa pelo Uruguai de Gigghia. Era um remédio para a dor do Maracanazzo. Os times era bons.

Com o apoio da Fifa, o torneio contou com a participação do Estrela Vermelha (antiga Iugoslávia), Áustria Viena (Áustria), Nacional (Uruguai), Nice (França), Sporting (Portugal) e Vasco, além do Palmeiras. As reportagens amareladas, que resistem ao tempo com muito custo, falam de 150 mil pessoas na final do Maracanã.

Depois de ter vencido a Juventus de Turim por 1 a 0 no Pacaembu em um jogo à noite, uma novidade para os europeus, o Palmeiras empatou por 2 a 2 na decisão. de 150 mil. Palmeiras campeão!

Brandãozinho era um atacante veloz, de beirada do campo, que jogou ao lado de Jair Rosa Pinto, Oberdan Cattani e Waldemir Fiúme. Não era titular, mas se tornou o porta-voz do título mítico.

As lembranças emolduram uma das maiores polêmicas da história do Palmeiras. O reconhecimento do título pela Fifa percorre idas e vindas nas últimas décadas. Em outubro, a entidade chancelou só os títulos a partir de 1960.

Os palmeirenses rebatem. “O Palmeiras é o campeão do mundo de 1951. Tal fato foi reconhecido pela Fifa, que o homologou após analisar uma série de materiais. A conquista está representada por uma estrela em nosso uniforme”, afirma o presidente Mauricio Galiotte ao Estado. “Sou campeão do mundo”, diz Brandãozinho com o punho elevado e enfeitado pelo relógio dourado.

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