Dívida menor, mais equilíbrio e receita em alta: o ano financeiro do Palmeiras

Gestão de Maurício Galiotte trabalha para encerrar débito com Paulo Nobre em 2018.

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Se o resultado esportivo não foi bom para o Palmeiras em 2017, o desempenho financeiro manteve a evolução dos últimos anos e faz o clube fechar a temporada em alta fora dos gramados.

Com mais equilíbrio entre receitas e despesas, o Palmeiras deve fechar mais uma vez com arrecadação recorde. Até novembro, data da última prestação de contas do clube, o superávit acumulado em 11 meses era de R$ 56 milhões.

As receitas operacionais do clube evoluíram nos últimos anos. Em 2013, por exemplo, o Verdão arrecadou R$ 178 milhões, R$ 290 milhões a menos do que no ano passado, quando fechou em R$ 468 milhões. Para a temporada de 2017, a previsão é de superar a marca dos R$ 500 milhões – os números de novembro fecharam em R$ 492 milhões.

O Palmeiras hoje divide suas fontes de receitas entre direitos de televisão (28%), patrocínio (24%), bilheteria (18%), venda de atletas (8%), programa de sócio-torcedor (10%), clube social (7%) e outros (5% – sendo 1% de licenciamento).

Mais equilibrado, o Verdão viu crescer seu patrimônio líquido (valor contábil, diferença entre o ativo e o passivo do clube). Depois de uma sequência negativa nos últimos anos (- R$ 100 milhões em 2013, – R$ 128 milhões em 2014, – R$ 118 milhões em 2015 e – R$ 28 milhões 2016), o clube fechou novembro no azul, em pouco mais de R$ 28 milhões.

– O clube hoje vive uma situação financeira estável e muito positiva, fruto de um trabalho de reestruturação consistente. Os números são a maior prova de que estamos no rumo certo e a perspectiva do Palmeiras para os próximos anos é muito positiva. O palmeirense pode se orgulhar porque torce para um clube que cuida do presente e está preparado para o futuro – afirmou o presidente Maurício Galiotte ao GloboEsporte.com.

Uma das principais bandeiras do primeiro mandato de Galiotte é zerar as dívidas do clube. Isso significa encerrar o débito com o ex-presidente Paulo Nobre, já que o Palmeiras não possui pendências bancárias.

Durante 2013 e 2016, ano das duas gestões de Nobre, o clube recebeu aportes de cerca de R$ 200 milhões, distribuídos em dois fundos, como previsão de pagamento pelas futuras administrações em até 10 anos.

O aumento das receitas alviverdes, porém, acelerou o processo de restituição ao ex-dirigente. Até novembro, a dívida do Verdão com o Nobre era de R$ 24,7 milhões, sem considerar os valores investidos nas contratações de Róger Guedes e Mina, que totalizam cerca R$ 16,5 milhões, já corrigidos.

No caso dos atletas – assim como já havia ocorrido nas chegadas de Allione, Tobio, Mouche, Cristaldo, Leandro e Mendieta –, o dirigente receberá de volta o valor investido corrigido pelos índices de mercado em caso de uma nova negociação, com o clube recebendo o lucro de uma eventual transferência.

Atualmente, o Palmeiras paga mensalmente uma parcela que varia entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões a Nobre, valor que pode variar de acordo com a arrecadação do clube no período – as parcelas correspondem a 10% da receita palmeirense.

O futebol tem seu planejamento para a próxima temporada definido e bem avançado. Até o momento, o Palmeiras já contratou o técnico Roger Machado, os auxiliares Roberto Ribas, Andrey Lopes e James Freitas, o goleiro Weverton, o zagueiro Emerson Santos, o lateral-direito Marcos Rocha (anunciado na quarta-feira), o lateral-esquerdo Diogo Barbosa e o meia Lucas Lima.

A chegada de Marcos Rocha deve encerrar as prioridades de mercado e fazer com que o Verdão se apresente para a pré-temporada com o elenco quase que 100% definido – há espaço ainda para uma eventual oportunidade de negócio, como é considerado Gustavo Scarpa e pode ser Ricardo Goulart.

– Decidimos este ano que nosso planejamento seria antecipado para que iniciássemos 2018 com praticamente todo elenco pronto e à disposição do treinador. Por isso também definimos ainda em novembro o nome do Roger para conduzir nosso time. Acreditamos que, assim, aumentaremos ainda mais nossa probabilidade de conquista no ano que vem – explicou o presidente Galiotte, que, com o planejamento alviverde adiantado, vai passar as festas de fim de ano com a família no exterior. Sobre o novo treinador, ele não economizou elogios:

– O Roger possui todos os requisitos necessários para desenvolver seu trabalho alinhado com as premissas do clube: modernidade, interação com a base, utilização das ferramentas modernas disponíveis e uma forma de jogo equivalente à que definimos como ideal.
Na questão financeira, a expectativa é de pelo menos manter os padrões atuais de receita, com a possibilidade de evolução em algumas partes. O contrato de patrocínio com a Crefisa, por exemplo, prevê aumento para R$ 78 milhões em 2018, sem considerar bonificação ou eventuais ajudas em contratações.

O Palmeiras terá eleições presidenciais no fim do próximo ano. Como prevê o estatuto do clube, Maurício Galiotte pode tentar a reeleição no pleito que deve ocorrer em novembro. Uma nova mudança no estatuto, que pode aumentar o mandato presidencial para três anos, ainda deve ser votada pelo Conselho alviverde.

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