Mudança do estatuto: por que o presidente precisa de mais tempo no poder?

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Por Thiago Gomes
thiago@palmeirasonline.com

No próximo dia 21 de maio conselheiros votarão mudança séria no estatuto. O mandato de presidente, que atualmente é de dois anos, poderá pular para três anos. Ou seja, o eleito terá 36 meses de mandato e poderá se reeleger se assim achar necessário.

De acordo com as últimas gestões, existem algumas coincidências. O presidente demora, em média, entre três e quatro meses para montar a sua diretoria. Diversos fatores são envolvidos. Precisa se preocupar em ter diretor estatutário no basquete, na sinuca, no restaurante. Foge totalmente do âmbito futebol e volta-se para o clube. Por isso o tempo torna-se um pouco mais extenso que o normal. Ou o que seria normal nesse caso.

Depois vem o período de adaptação. Tornou-se presidente da maior instituição esportiva do Brasil. Com pressão de torcida (14 milhões pelo Brasil), pressão de patrocinador, pressão por novos contratos com televisão, acertos, etc. Qualquer tiro errado nesse momento pode arruinar toda gestão. Ou tem pulso forte ou coloca-se tudo a perder.

Entre os dois pontos mencionados acima, já se foram pelo menos seis meses. O andamento dos campeonatos acontecendo e os resultados posicionando a qualidade da gestão. Futebol é resultado. Se o time está vencendo, palmas. Se os triunfos não aparecem, pedras.

Se a conquista de um título acontecer no primeiro ano da gestão, o posicionamento para a reeleição fica mais fácil, mas não garantido. A política palmeirense é muito instável e muda à todo momento. Bastam resultados negativos na temporada seguinte para todos esquecerem o que foi conquistado. A média precisa ser mantida. O início do segundo ano da gestão já precisa ser focado na política para reeleição. Resumindo: o tempo prático de mandato de um presidente no Palmeiras não passa de quatro meses.

A alteração proposta ajudará os gestores do clube. Muitos acusam Maurício Galiotte de ser aproveitador por colocar em pauta essa alteração bem na sua gestão. Mas pense comigo, caro leitor: em algum momento, em alguma hora, alguém teria que colocar isso na mesa para votação, correto? Algum presidente seria beneficiado dessa alteração de qualquer maneira. Porém, olhando para frente e fazendo uma projeção, será apenas uma única vez que isso ocorrerá. Os próximos presidentes encontrarão a casa arrumada e três anos de gestão, podendo organizar da seguinte forma:

– Seis meses de planejamento e conclusão da nova diretoria;
– Dois meses de adaptação como presidente. Coletivas de imprensa, imagem, etc;
– Quatro meses de trabalho no primeiro ano;
– Vinte e quatro meses de trabalho puro e execução do planejamento (revisão de contratos, base, patrocinadores, cotas de TV, etc);

Presidir um clube como o Palmeiras não é fácil. Três anos de mandato é o mínimo que se pode ter para apresentar resultados concretos. E você, torcedor, o que pensa sobre esse assunto?

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