“Para de chorar, meu filho, É só futebol”. Escutei minha mãe dizer isso um dia depois que o Palmeiras foi rebaixado em 2002. A derrota para o Vitória levou parte do meu coração. Triste e muito abatido, demorei para me recuperar.

Meu pai chegou perto de mim e disse: “Filho, palmeirense é assim. É formação de caráter. Se erramos e caímos, vamos vencer e subir. Levanta a cabeça, palmeirense não fica no chão”. Nunca mais esqueci dessas palavras e, durante toda a Série B, fui em todos os jogos e me tornei mais palmeirense ainda. Minha alma ficou mais verde e meu coração bateu ainda mais forte por esse símbolo.

Ser palmeirense é realmente formação de caráter. Até nossos círculos de amizade são formados pela palestrinidade. Afinal é muito mais gostoso e interessante ter amigos que vão aos jogos e que curtem todos os momentos. Que criticam o Deyverson, que falavam do Galeano ou que chamavam o Alex de sonolento. Os argumentos de debate eram e são infinitos. Entre palmeirenses. Para rivais, todos os jogadores eram e são excelentes, bons e heróis. Só fala mal quem é de casa.

Ser palmeirense é ter história para contar. É dizer à plenos pulmões que o clube é Eneacampeão Brasileiro. É o primeiro Campeão Mundial. Tem a melhor e mais moderna arena das Américas. Foi o único clube que teve todos os atletas convocados pela Seleção Brasileira…e goleou o adversário. Tem uma legião apaixonada que prova, todos os jogos, o seu amor. Sol, chuva, frio, calor, sempre ao lado, sempre pulando, sempre sentado, sempre vibrando. Mesmo na crise financeira, sempre se tem um jeitinho. Corta ali, aqui, mas o Avanti sempre quitado.

Brigamos e discutimos à cada lançamento de camisa. Trucidamos a fornecedora, mas todo mundo está na fila da loja para comprar. Os mais orgulhosos compram pela internet. Mas, se abrir a gaveta, lá está o manto. Meio envergonhado, diz: “coleciono, né?”. Isso é ser Palmeiras.

Ser palmeirense é ficar com a cabeça quente depois da derrota e não ter um dia bom. É ficar muito feliz e jogar cerveja pra cima quando vence aquele jogo no final, nos últimos momentos. É fazer cálculo, ponto a ponto, da classificação. “Será que dá?”. Claro que dá, como sempre deu. Juntos, vamos longe. Sempre chegamos longe. Por isso “somos” o Maior Campeão do Brasil. Torcemos para um clube referência que não precisa de interferência para ser campeão, que não precisa de ajudinhas e poréns. História limpa, orgulho máximo.

Nestes 104 anos queria apenas pedir uma coisa, Palmeiras: exista. Só exista. Com você existindo, minha vida é melhor. A vida do palmeirense é melhor. Nosso ar fica mais puro. Nossa mente fica mais limpa. Nosso mundo fica muito mais verde.

Parabéns, Palmeiras. Parabéns, Palestra.

Comentários

comentários