Indecisa, diretoria ainda está analisando anulação do jogo

Diretor jurídico pensa, presidente pensa, e nenhuma atitude é tomada. Clube é fraco nos bastidores.

Por Thiago Gomes

O Palmeiras foi, com certeza, muito prejudicado. A questão não é defender o errado, e sim promover a regra para todos, sem exceção. Após o gol de Barcos, tanto o bandeira quanto o juiz aprovaram o gol. Mas o delegado da partida se envolveu, após reclamação do Internacional, e o tento foi anulado. Foi usado a interferência do recurso eletrônico, conforme uma jornalista apontou. “O delegado questionou se havia sido de mão ou não. E um jornalista disse que, sim, tinha sido com a mão,” relatou.

A Fifa proíbe qualquer tipo de intervenção eletrônica. Com base nisso, a diretoria do Palmeiras tem condições de entrar com a anulação do jogo, se assim quiser. Mas o diretor jurídico, Piraci Oliveira, não se mostrou muito a favor do processo. “O Palmeiras ainda está analisando esta questão, com decisão final do presidente. Isso ainda não está definido. É uma questão de provas de influência externa. Estamos buscando testemunhas e temos um prazo de 48 horas para entrar com recurso”, disse.

Desde que o advogado André Sica foi demitido, a credibilidade caiu demais perante as federações e confederações. Sem força, o Palmeiras não consegue nenhuma vantagem nos bastidores. O atual diretor jurídico não agrada conselheiros e nem sócios, tendo somente admiração de Arnaldo Tirone.

Ou seja, o Palmeiras não terá a anulação e precisará vencer quatro jogos em cinco se quiser permanecer na Série A do Brasileiro. 

No site da Fifa, entidade máxima do futebol, tem um texto publicado por Joseph Blatter, presidente da instituição. Dentre vários pontos, destacamos a parte em que Blatter comenta sobre a “universalidade” do futebol. “A universalidade do futebol: um dos principais objetivos da FIFA é proteger a universalidade do futebol. Isso significa que o esporte deve ser praticado da mesma maneira em todos os lugares do mundo.”

Segue o texto, na íntegra.

“Na 124ª Assembleia Geral Anual da International Football Association Board (IFAB) realizada em Zurique no dia 6 de março de 2010 e por mim presidida, como manda a tradição em anos de Copa do Mundo da FIFA, a IFAB decidiu não introduzir a tecnologia no futebol.

A FIFA apoia essa decisão, com fundamento nos seguintes pontos:

A universalidade do futebol: um dos principais objetivos da FIFA é proteger a universalidade do futebol. Isso significa que o esporte deve ser praticado da mesma maneira em todos os lugares do mundo. Se você treinar um time de adolescentes de qualquer cidadezinha do planeta, eles jogarão de acordo com as mesmas regras observadas nas partidas que veem pela televisão.

A simplicidade e a universalidade do futebol fazem parte das razões do seu sucesso. Homens, mulheres, crianças, amadores e profissionais praticam o mesmo esporte no mundo todo.

O aspecto humano: independentemente da tecnologia que seja utilizada, a decisão final será tomada por um ser humano. Sendo assim, por que tirar a responsabilidade do árbitro e dar para outro? Muitas vezes, depois de verem um replay em câmera lenta, dez especialistas têm dez opiniões diferentes sobre a decisão que deveria ter sido tomada.

Os torcedores adoram debater os incidentes de uma partida. Faz parte da natureza humana do futebol.

A meta da FIFA é melhorar a qualidade da arbitragem, profissionalizar e preparar melhor os árbitros, e auxiliá-los na medida do possível. É também por essa razão que os testes envolvendo a arbitragem — como a presença de assistentes adicionais e a discussão sobre o papel do quarto árbitro — continuarão a ser analisados, a fim de encontrarmos maneiras de ajudar os juízes.

O aspecto financeiro: a implementação dos modernos recursos tecnológicos pode ser muito onerosa e, portanto, inviável em nível mundial. Mesmo nos principais torneios, muitas partidas sequer são televisionadas. Por exemplo, são quase 900 partidas nas eliminatórias para a Copa do Mundo da FIFA, e as mesmas regras devem ser aplicadas em todos os jogos da mesma competição. As regras precisam ser as mesmas para todas as partidas de futebol no mundo todo.

As experiências realizadas pelas empresas em matéria de tecnologia no futebol também são caras. Também nesse aspecto é positiva a decisão da IFAB de dar uma resposta clara sobre o uso de recursos tecnológicos no futebol, tomada após cuidadosa consideração e análise dos estudos conduzidos nos últimos anos. Agora, as empresas não gastarão quantias enormes de dinheiro em projetos que não serão implementados.

A ampliação do uso das tecnologias: a questão já foi levantada: se a IFAB tivesse aprovado o uso da tecnologia da linha do gol, o que impediria a aprovação do uso de recursos tecnológicos em outros aspectos do futebol? Dentro de pouco tempo, todas as decisões em todos os setores do campo seriam questionadas.

A natureza do futebol: o futebol é um esporte dinâmico que não pode ser interrompido para que uma decisão seja revista. Se fosse preciso parar o jogo para tomar uma decisão, o ritmo da partida seria quebrado e uma equipe poderia até perder a chance de marcar um gol. Além disso, não faz sentido interromper o jogo a cada dois minutos para reavaliar uma decisão, pois isso vai contra o dinamismo natural do futebol.”