A goleada do Palmeiras sobre o Bangu-RJ por 6 a 0, que marcou a reinauguração do estádio Palestra Italia após ter passado pela primeira grande transformação de sua história, completa exatos 80 anos nesta terça-feira (13). A reforma, concluída em 1933, rendeu ao local as primeiras arquibancadas de cimento armado e tornou a casa alviverde uma referência nacional.

Parque Antarctica

Imagem aérea do Palestra e região.
Imagem aérea do Palestra e região.

A existência do Parque Antarctica está diretamente ligada à fundação da Companhia Antarctica Paulista, ocorrida em 1891, arrojada iniciativa industrial cujas instalações se localizavam no bairro da Água Branca.

A ligação entre o Palmeiras e o Parque Antarctica, porém, teve início em 1917. À época, o espaço, que pertencia à Companhia Antarctica Paulista, era uma área de lazer muito tradicional em São Paulo e tinha um campo que era cedido à equipe de futebol do Germânia (atual Pinheiros). Depois da Primeira Guerra Mundial e a consequente crise financeira do Germânia, o América, clube então em formação, passou a ser o locatário do estádio. Este clube, por sua vez, não podia arcar com as despesas de aluguel sozinho, e o Palestra Italia, que já levava grande público a seus jogos, interessou-se pelo local.

Em 1917, portanto, por intermédio do América, foi feito o contrato de aluguel do campo por 500 mil reis por mês. Foi assim que o Palestra Italia se instalou no tradicional local. O América, à beira da falência, não demorou a desaparecer, e o contrato, a partir de então, passou a ser direto entre o Palestra e a Cia. Antarctica Paulista.

Em 1920, definitivamente, o Palestra Italia tornou-se proprietário do local. Financiado pelo conde Francisco Matarazzo, o então Parque Antarctica – que agora era propriedade do Palestra e já não possuía mais vínculo com a Cia. Antarctica Paulista – foi rebatizado, passando oficialmente a chamar-se Stadium Palestra Italia. Para a grande massa, porém, o local continuou sendo chamado de Parque Antarctica durante muitos anos.

Reforma do estádio

Em 1933, no mesmo ano da implantação da era profissional no futebol brasileiro, a Sociedade Esportiva Palestra Italia, encabeçada pela comissão organizadora “pró-stadium” (idealizada em 1921, durante a gestão do presidente palestrino Davide Pichetti), materializou aquela que seria a grande novidade no cenário futebolístico de São Paulo: reformou o estádio e trouxe novos ares à cidade.

A mudança mais característica na estrutura do estádio ao longo desta reforma foi a substituição das velhas arquibancadas de madeira, que deram lugar às arquibancadas de cimento armado – uma novidade para o período. As arquibancadas eram retas e paralelas umas as outras, sendo uma delas a tribuna social. Curiosamente, estas arquibancadas fizeram parte do estádio até 2010, ano do fechamento para a reforma que dará origem ao Allianz Parque. Elas correspondiam às numeradas coberta e descoberta e ao setor Visa. Sem dúvidas, aquela foi a primeira grande transformação do estádio. Mais tarde, o local passaria por novas transformações, ganharia o jardim suspenso e uma “meia lua” de arquibancada, ficando com o formato de uma ferradura em torno do campo.

No início dos anos 10, o Velódromo (que ficava próximo à rua da Consolação e hoje dá lugar ao Teatro Cultura Artística) representava o epicentro do esporte bretão. Tão logo a cidade crescia e se transformava, bem como o gosto pela bola, o local foi dragado pelo tempo. Veio os anos 20 e 30 e com ele o eixo do futebol passou a ser o Estádio Palestra Italia, que comportava os grandes eventos esportivos da paulicéia. Foi o principal estádio de São Paulo até o advento do colossal Pacaembu, nos anos 40.

Reinauguração com goleada

A reforma durou aproximadamente oito meses. Curiosamente, entre dezembro de 1932 e agosto de 1933 – período em que o estádio era reformado – houve um único jogo, em meio as obras, entre Palestra e Ypiranga: vitória palestrina por 2 a 0. Mas foi em 13 de agosto de 1933, portanto, há exatos 80 anos, que o “Stadium” Palestra Italia abriu as portas de cara nova e voltou a ser palco de eventos esportivos.

Em partida válida pelo Torneio Rio-São Paulo, o Palestra Italia goleou o Bangu-RJ por incríveis 6 a 0. A vitória marcou uma nova era, pois, à época, o time esmeraldino vivia uma boa fase. Havia conquistado o Paulistão do ano anterior (1932) – último título paulista da era não-profissional – e iria conquistar também os títulos paulistas de 1933 e 1934, chegando assim ao tricampeonato. De quebra, o Palestra ainda foi campeão do próprio Torneio Rio-São Paulo de 1933.

A transformação do velho Parque Antarctica foi, entre tantas outras conquistas, o título mais importante da década. Revigorou os ânimos palestrinos. Teve um papel imprescindível para que o Palestra Italia atravessasse um dos períodos mais áureos de sua história. No final dos anos 50, o Verdão passou por outra grande transformação e no século XI o Palestra volta a escrever sua história.

Até o fechamento do estádio para reforma, em 2010, foram 1570 partidas disputadas no Parque Antacrtica/Palestra Italia, com 1063 vitórias alviverdes, 318 empates e 189 derrotas. Dentro de casa, o Palmeiras balançou as redes adversárias nada menos que 3.696 vezes e sofreu um total de 1.484 gols.

FICHA DO JOGO DE REINAUGURAÇÃO DO PALESTRA

PALESTRA ITALIA 6 x 0 BANGU

Data: 13/8/1933 (Domingo)
Competição: Torneio Rio-São Paulo
Local: Palestra Italia (SP)
Juiz: Haroldo Dias da Motta
Gols: No 1º tempo: Gabardo e Avelino. No 2º tempo: Avelino, Romeu, Gabardo e Romeu.

Palestra Italia: Nascimento; Carnera e Junqueira; Tunga, Dula (Zico) e Tuffy; Avelino, Gabardo, Romeu Pellicciari, Lara e Armandinho. Técnico: Humberto Cabelli

Bangu: Euclides; Mário e Sá Pinto; Paulista, Santana e Médio; Sobral, Ladislau, Tião, Plácido, Dininho (Vivi). T: Jayme Mathias Rincão.

Fonte: Site Oficial

Comentários

comentários