Inimigos políticos históricos no Palmeiras, os ex-presidentes Mustafá Contursi e Luiz Gonzaga Belluzzo, agora, brigam em outras esferas alheias aos bastidores palestrinos. Pois desde o último mês de abril corre uma ação na Justiça em que o primeiro pede ao segundo uma indenização de R$ 35 mil por danos morais. No entanto, a história é um pouco confusa.

Tudo começou no dia 30 de outubro de 2014. Em entrevista ao Lance, Belluzzo rebateu acusação de Mustafá, que apontou déficit no programa de sócios-torcedores Avanti na faixa de R$ 1,3 milhão ao fim do mandato do desafeto, entre 2009 e 2010. Em sua defesa, o economista disse que “o Mustafá nem sabe fazer conta”. E, conforme consta na publicação, acrescentou: “Sou reconhecido mundo afora enquanto ele é um lixo”.

Só que, na realidade, tudo não passou de um mal-entendido. Em contato com a ESPN, o próprio Luiz Gonzaga Belluzzo explicou o ocorrido. “Eu jamais chamaria outra pessoa de ‘lixo’. Eu disse ‘mixo’, de mixaria, e no mesmo dia mandei um e-mail para o jornalista do Lance explicando. E queria dizer aqui que o repórter foi muito correto, pois reconheceu que, quando conversamos, ele ouviu mal o que eu disse. E aí o jornal publicou uma errata no dia seguinte mesmo”, esclareceu o professor.

De fato, no dia 31 de outubro de 2014, o Lance publicou uma errata: “Diferentemente do publicado ontem nesta coluna, a palavra citada por Belluzzo foi ‘mixo’ e não ‘lixo'”.

“Por uma grande coincidência tudo isso aconteceu no dia do meu aniversário, eu estava comemorando com meu filho e meu secretário, os dois ouviram eu falar ‘mixo’ até. E eu expliquei para o repórter no mesmo dia que ele me entendeu de forma errada, e ele foi muito correto comigo, publicando a correção no jornal”, continuou o ex-presidente palmeirense.

Apesar disso, Contursi moveu o processo e quer ser indenizado pelo desafeto político. O curioso é que, entre os documentos anexados pelos advogados de Mustafá, consta não só a publicação original do jornal, como também o trecho do dia seguinte em que o periódico reconhece o erro e faz uma retração.

“Além de xingar Mustafá de ‘lixo’, Belluzzo ainda informa que Mustafá ‘não sabe fazer conta’, sugerindo a ideia de que Mustafá seria um idiota. Mustafá sentiu-se ofendido, agredido, triste, envergonhado, avacalhado e achincalhado com os dizeres publicados em jornal por Belluzzo. Declarações deste tipo denigrem imagem, causam lesões psíquicas e causam desconforto familiar. Mustafá perdeu noites de sono e ainda está angustiado com a repercussão negativa da atitude de Belluzzo”, diz a defesa do presidente da chamada “era Parmalat”.

Para completar, além dos R$ 35 mil de indenização, Mustafá ordena um pedido de desculpas. E o quer da seguinte forma: “Em atenção à nota publicada neste jornal edição nº 6180 de 30 de outubro de 2014, LUIZ GONZAGA DE MELLO BELLUZZO, na ocasião conselheiro e ex-presidente do Palmeiras, vem pedir desculpas a Mustafá Contursi sobre o teor das ofensas publicadas em relação à sua honra e imagem”. Essas exatas palavras, incluindo as letras maiúsculas, são as exigências do cartola.

Horas depois de conversar com o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, a reportagem teve acesso ao teor de sua defesa, anexada ao processo na semana passada. E não é nada diferente do que foi dito anteriormente pelo ex-presidente por telefone à ESPN.

“Conforme bem elucidou em seu e-mail ao Jornal Lance, Belluzzo jamais chamaria qualquer pessoa de ‘lixo’. Tal adjetivação grosseira não é própria de pessoa que ao longo de sua vida primou pela boa educação, pelo respeito aos adversários políticos, e mesmo em relação àqueles que historicamente com ele rivalizam. Belluzzo referiu-se ao autor como ‘mixo’, que deriva de ‘mixaria’, querendo apenas mostrar num contexto de política futebolística desprezo ou desinteresse pelas considerações sempre ruidosas de seu histórico adversário político, e que, é fato, adora provocar e ‘atirar farpas’ contra Belluzzo”, explica no processo o advogado Silvio Cesar Bueno de Camargo.

O representante jurídico do economista ainda menciona que a acusação de Mustafá anexa a errata do Lance na folha 17 da ação, apesar de ter ocultado o fato na petição inicial. Justamente por isso, os representantes de Belluzzo pedem ao Poder Judiciário que seu desafeto seja condenado por má-fé. “Mustafá pretende usar o foro para apoquentar Belluzzo, em histórica, ‘mixa’ e interminável obsessão político-futebolística, que deveria ter lugar no divã do psicanalista, e não na Justiça Estatal, em abuso do precioso tempo deste magistrado”, escreveu a defesa do professor.

A Justiça ainda não se manifestou a respeito da ação. Mustafá também foi procurado pela reportagem, mas não atendeu até a publicação da matéria.

Fonte: ESPN