O que aconteceu com o Palmeiras?

O técnico Felipão, da SE Palmeiras, em jogo contra a equipe do Grêmio FBPA, durante partida de volta, válida pelas quartas de final, da Copa Libertadores, no Estádio do Pacaembu.

Por Thiago Gomes
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O palmeirense viveu fase maravilhosa em 2019. Até o fim do primeiro semestre, o sonho de novas taças era real. Ganhar a Libertadores não parecia algo tão distante e, talvez, levar a Copa do Brasil de lambuja não parecia algo surreal.

O time vinha jogando bem. Bruno Henrique controlando as ações, fazendo gol de longe (contra o Atlético Mineiro). Scarpa jogando o fino da bola, finalizando bem, armando jogadas. Felipe Melo voando na marcação. A dupla Gómez e Luan era, sem dúvida, a maior do Brasil. E talvez da América do Sul. Paredão!

Os números impressionaram. Um ano sem perder pelo Brasileiro. Vitórias empilhadas. Sequências positivas. Números indestrutíveis. Alegria, felicidade e paz. Era questão de tempo para estourar ainda mais no Brasileiro. Dez pontos na frente, torcida comemorando. A caminhada estava feita.

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Mas veio a parada da Copa América…

Qualquer um, em plena consciência, pensou: “Bom, são 30 dias para aperfeiçoar esse time. Melhorando a questão física, tudo será maximizado e seremos ainda mais imbatíveis”. Pois é. A folga forçada fez muito mal ao elenco, que decaiu completamente.

Perdeu para o Ceará, foi eliminado da Libertadores, caiu na Copa do Brasil e, ontem, sofreu goleada para o Flamengo. Elencos equiparados e de grandes jogos no passado, jogos de equilíbrio absurdo (nos últimos seis jogos, quatro empates). Mas, ontem, o Palmeiras sucumbiu em campo.

Erros de passes curtos, falta de vontade, falhas grotescas na marcação, auto-estima lá no pé…e todos os fundamentos simplesmente desapareceram. Na coletiva, Felipão tentou explicar o inexplicável. Foi para a parte psicológica, depois elogiou Jorge Jesus, depois falou sobre a parte física. Não colou.

O que pode ter acontecido?

Todo ano, desde 2015, é a mesma coisa. Oswaldo de Oliveira deixou o comando para Marcelo Oliveira. O técnico conquistou a Copa do Brasil. Em 2016, Marcelo deixou o comando técnico e Cuca assumiu. O atual treinador do São Paulo levou o Brasileiro. Cuca saiu e assumiu Roger Machado. Depois Machado deixou a posição após derrota para o Fluminense no Rio de Janeiro. Felipão assumiu em julho e alcançou números importantes, e levou o Deca. Conquistou mais um Nacional.

Hoje, praticamente um ano depois, o time parou de jogar de novo. Técnico tem prazo de validade de apenas doze meses no Palmeiras? Algo tem aí.

Falta de motivação e cobrança

Algumas coisas me fazem pensar. E uma delas, que eu acho bem provável, é a falta de motivação e cobrança. Com o andamento das competições e elenco recheado de atletas para várias posições, algumas trocas acontecem. É normal. Felipão disse em janeiro sobre o rodízio. Mas não pode perder a mão. Tem que conversar, tem que ter um amparo psicológico.

Ontem, por exemplo, Zé Rafael nem foi relacionado. Por que? Qual será que foi a explicação para o garoto? Se eu fosse jogador de futebol, com certeza questionaria sobre isso. Por que não fui relacionado se eu fui titular na partida do meio de semana? Qual será o motivo?

Aos poucos, em proporções maiores, vai minando a motivação. A queda passa para todos os jogadores e a m#$%$#% tá feita. Já dizia a vovó: “basta uma laranja estragada para contaminar todas as outras”.

Outro caso curioso é de Arthur Cabral. Não dá para dizer que ele é um jogador ruim e que foi uma péssima contratação. Não, não é verdade. Cabral é bom jogador, novo e fez história no fraco time do Ceará (com todo respeito). Lembro que na semana em que chegou, muita gente postou nas redes sociais que ele chegaria para ser titular absoluto. Eu também achava. Aliás, achava que ele tomaria facilmente o lugar de Borja e Deyverson.

Treinou muito, jogou pouco. Teve a chance contra o Vasco, numa única partida, para provar seu valor. Pressionado, não atuou como deveria, foi cobrado e foi negociado com o futebol suíço. Essa experiência foi válida!? Não na minha visão.

É muito melhor ter elenco de 28 jogadores com onze titulares, enquanto os outros brigam pela posição. O Palmeiras tem elenco qualificado, mas muito solto, sem continuidade. Muitas peças de reposição, mas nenhuma com empenho e vontade de assumir a posição. De ser titular.

A solução para o Palmeiras(?)

Felipão vai fechar os treinos durante a semana e a programação não foi revelada. Ou seja, terá tempo para trabalhar sem qualquer interferência externa. Chegou a hora de conversar, muita conversa, entender o que está acontecendo e tomar as devidas atitudes. Ver quem está afim de continuar no Palmeiras e quem quer ser negociado. Traçar plano de metas importantes daqui até dezembro.

E nosso técnico também precisa ouvir algumas poucas e boas. Colocar Jean no lugar de Bruno Henrique perdendo de 3 a 0 é incabível. Entrar com três volantes e sem nenhum jogador criativo é um grande tiro no pé, principalmente contra o Flamengo que conseguiu armar uma boa equipe.

Tenho fé que as coisas podem mudar ainda esse ano. Caso contrário, foco na soma de pontos para não cair e inicia o planejamento para 2020. É o que se pode fazer.