Falar menos e não repetir erros: Felipe Melo explica nova postura

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Em sua primeira entrevista coletiva do ano, volante diz que aprendeu com o que passou em 2017 e que está ‘deixando de falar uma coisinha ou outra’ para evitar problemas

“Óbvio que a gente não vai repetir palavras que foram proferidas no passado”. Foi assim que Felipe Melo começou a responder a uma pergunta sobre os encontros que o Palmeiras terá com o Boca Juniors na Copa Libertadores. Nem parecia o mesmo jogador que, há cerca de um ano, avisou que daria tapa na cara de uruguaio se fosse preciso – algo que acabou acontecendo na batalha campal contra o Peñarol. O volante de 34 anos diz que mudou sua postura para não repetir os erros do ano que passou.

– Estou falando menos, bem menos. É experiência, né? Eu revi tudo aquilo que fiz no ano passado. O que a gente fez de errado e pode melhorar? Óbvio que a gente vai cometer erros, somos seres humanos, mas não os mesmos erros do ano passado. Dentro de campo, acho que o meu início é igual ao do ano passado. O que mudou é que estou falando menos – explicou o camisa 30, em uma entrevista coletiva que começou e terminou sem brechas para polêmicas.

– A minha autenticidade eu não vou perder nunca, é um ponto positivo que eu tenho. Obviamente que, ao longo dos anos, eu tenho aprendido a não falar, me calar em alguma situação. A gente continua sendo autêntico, mas deixando de falar uma coisinha ou outra – disse.

Foi a primeira ida de Felipe Melo à sala de imprensa da Academia de Futebol em 2018. As conversas entre ele e os jornalistas, tão frequentes no ano passado, tornaram-se raras. Ele não tem falado depois dos jogos. Sem polêmicas ou frases de impacto, sobra tempo para falar sobre sua boa fase e até em Seleção Brasileira.

– Essa mudança tem a ver com o Palmeiras, comigo e com a minha família. Eu cheguei aqui e falei que minha seleção é o Palmeiras. Se chegar uma oportunidade, vou estar feliz de servir à Seleção Brasileira, mas o meu foco está aqui. Se surgir a oportunidade, serei o homem mais feliz do mundo.

Veja todas as respostas de Felipe Melo:

O que mudou de 2017 para 2018?
“Não mudou muita coisa, não. Quando a equipe vence, tem essa situação de estar 100%, tudo contribui para as coisas acontecerem da melhor maneira. No dia a dia, estamos trabalhando bastante, ganhando confiança. Acho que minha última expulsão foi na Inter, já tem tempo. Estou tranquilo dentro de campo, a experiência vai te dando um pouco disso. A cada ano que passa você vai tomando um pouco mais de conta da situação. Melhorar é sempre bom.

Boca Juniors na Libertadores
“Óbvio que a gente não vai repetir palavras que foram proferidas no passado. É um jogo importante, vai ser tão pegado quanto foi esse jogo contra o Peñarol, mas contra um time melhor. Vai ser o encontro de dois gigantes. Espero que seja um grande jogo”.

Faria algo diferente se pudesse voltar no tempo?
“É muita pergunta sobre o que eu teria feito, sobre o que deixaria de fazer. Temos que falar do hoje. É bom deixar bem claro que é apenas o início de um trabalho, o oba-oba fica para a parte externa. Aqui estamos bem focados nos nossos objetivos. Passado é passado”.

O quanto Roger Machado contribui para o bom momento?

“Ano passado eu tive essa sequência no início também. Infelizmente não conquistamos o Paulista, mas eu e Mina fomos premiados na seleção do campeonato. Na Libertadores, classificamos. No ano anterior, o Palmeiras não tinha se classificado, e nós conseguimos passar bem em um grupo difícil. É importante tudo o que o treinador tem feito. Faz a gente estar alegre para jogar, treinar. Eu não gosto de fazer comparações entre Roger e Eduardo Baptista, são diferentes. O trabalho do Roger está dando certo. Eu falei antes da apresentação dele que a torcida tinha que abraçá-lo, e acho que esse abraço tem sido recíproco”.

O bom ambiente no elenco
“O bom ambiente não é visto quando se vence. Para mim, é na derrota que se vê. Eu já passei por clubes em que treinador não falava com o 10, o 10 não falava com o goleiro, mas vencemos tudo, chegamos em semifinal de Champions. E já passei em clubes em que o grupo era de amigos, de família, mas não vencia nada. Aí saíam vários burburinhos, coisas que não eram reais. Aqui, chegaram alguns jogadores pontuais, que nós já conhecíamos. Uma rapaziada bacana pra caramba. A família que esse grupo se tornou vai estar junta na vitória e na derrota”.

Lançamentos precisos

“Essa é uma situação que já vem ao longos dos anos. Óbvio que quando você faz um passe desses para um jogador como o Dudu, ajuda bastante, porque ele vai dominar e fazer o gol. Quando você toca para um perna de pau, vai bater na canela e sair. É um privilégio jogar com Dudu, Keno, Willian, Borja…”.

Liderança
“Eu tenho um espírito de liderança muito forte, tive essa situação em todos os clubes, mesmo não carregando a braçadeira. Temos um capitão e respeitamos muito, é um cara que tem história e é ídolo, mas são vários líderes aqui dentro”.

O carinho da torcida
“Tudo provém da entrega dentro do campo. Não é toda vez que vou acertar os passes e roubar todas as bolas, mas a entrega é fundamental para conquistar a torcida. Quando falei que o Palmeiras estava colocando comida na minha casa, não foi da boca para fora, para conquistar A ou B. É a verdade e dou o máximo para estar à altura do clube”.

Marcação por zona ajuda?
“Eu vejo grandes clubes no mundo, como o Barcelona. Você tem o Busquets, que é o encarregado de roubar a bola e fazê-la chegar redondinha para os cães de raça ali. O Real Madrid tem o Casemiro. Os grandes clubes sempre têm esse tipo de jogador. Mas a situação de roubar bolas, eu sou muito ajudado pelo Tchê Tchê e o Lucas Lima. O Roger tem conseguido fazer com que nós façamos a pressão no campo de ataque. O Borja está fazendo um trabalho espetacular, o Dudu, o Willian. Obviamente que existe a situação de estar bem posicionado, mas é fruto de trabalho e uma ajuda mútua em campo”.

Jailson
“O Jailson é muito querido por todos aqui dentro. Além do grande goleiro que ele é, é um cara cativante, humilde, família. É um cara muito companheiro. A gente fica muito feliz porque, além de ser bacana e profissional, está em uma fase espetacular. Contra o Santos, ele fez uma defesaça na cabeçada do Sasha. A gente torce muito por ele”.

Mudanças no Brasileirão

“Grama sintética, jamais. Tem que ser grama normal, eu cresci jogando em grama normal. Na sintética, já treinei algumas vezes. É complicado dar um carrinho, queimava a sola do pé quando estava muito sol. Eu achei horrível. Essa situação de venda de mando de campo, acho que é válido. De repente você quer mandar um jogo no Ceará, onde os torcedores não veem o Palmeiras há muito tempo… Sobre árbitro de vídeo, eu prefiro me calar. É uma coisa bem complexa”.

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