Os jogadores da SE Palmeiras, durante treinamento, no Estádio Romelio Martinez, em Barranquilla, na Colômbia.

O Palmeiras começou 2019 com enorme expectativa nas costas. Decacampeão brasileiro após campanha incontestável sob o comando do técnico Luiz Felipe Scolari em 2018, o elenco foi ainda mais reforçado para a temporada atual. Felipe Pires, Arthur Cabral, Zé Rafael, Matheus Fernandes, Carlos Eduardo e Ricardo Goulart chegaram e tornaram a vida do treinador palmeirense mais fácil. Ou pelo menos, deveria.

Com elenco numeroso, Felipão não conseguiu testar todo mundo ainda. Matheus Fernandes, por exemplo, não está inscrito no Paulista. Não entrou em nenhuma partida e ainda não vestiu de fato a camisa palmeirense.

Felipe Pires e Carlos Eduardo tiveram chances, mas ainda não convenceram. O segundo sofre com críticas pesadas da torcida palmeirense, principalmente após fraco desempenho no clássico contra o Corinthians em casa. A derrota por 1 a 0 estourou o estopim do nervosismo e ansiedade do torcedor palestrino.

O meia Zé Rafael teve oportunidade e agradou. Mas Felipão não escalou mais. Relacionou o jogador para a partida contra o Júnior Barranquilla na estreia da Libertadores, mas não o levou para o estádio. Deve ganhar mais chances no Estadual, principalmente com a disputa do torneio continental em paralelo. Fará parte do “time alternativo” proposto pelo técnico.

Arthur Cabral ainda se recupera de lesão e não é parâmetro. Passou os primeiros dois meses do ano no departamento médico e em fase de transição. Veio do Ceará com problema no púbis. Problema, aliás, que o seguiu parte da temporada passada. É opção super viável para o ataque.

Ricardo Goulart ganhou a titularidade no Paulista e na Libertadores. Após marcar duas vezes contra o Ituano, ganhou moral. Atuando como meia, articulou bastante e mostrou serviço. Faz exatamente o que Felipão quer.

Números confirmam bom começo

No Campeonato Paulista já são 18 pontos em 9 partidas. Cinco vitórias, três empates e apenas uma derrota. São dez gols marcados e quatro sofridos, totalizando seis de saldo. O aproveitamento é de 66.7%.

Na Libertadores, com apenas uma partida completa, o Verdão tem 100% de aproveitamento. A vitória de 2 a 0 diante do Júnior Barranquilla deixou o Alviverde mais tranquilo na busca pela classificação. Receberá o Melgar, do Peru, na próxima terça. Um triunfo no Allianz Parque pode deixar a tabela de classificação bem “suave”, isso porque os peruanos empataram com o San Lorenzo na estreia sem gols.

Derrota que ganhou outro rumo

Apesar de ter apenas uma derrota no ano, Felipão recebe críticas dos torcedores. E o elenco também. O gol de Danilo Avelar no Allianz Parque deu a vitória ao Corinthians. O clube ainda está ressentido da derrota na final do Paulista do ano passado. A dor da perda ainda é grande, e o clássico contra o maior rival ganhou ares de revanche. E o triunfo não aconteceu.

No clássico, especificamente, o Palmeiras não foi bem. Felipão insistiu em Carlos Eduardo e demorou para alterar. Muitas bolas alçadas e pouco trabalho pelo meio. O revés foi maximizado.

Após perder para o Corinthians, outro clássico: o Santos em casa. Mesmo não correspondendo às expectativas dos palmeirenses, o time melhorou e teve diversas chances de abrir o placar. Dudu, de cabeça, quase balançou as redes, se não fosse defesa milagrosa de Éverson, no estilo Gordon Banks.

Bom começo, mas precisa evoluir

Com elenco forte e cheio de reforços, a expectativa é maior. O Palmeiras de Felipão precisa mostrar mais futebol e poder de reação. Reação, aliás, que não é o forte da equipe até o momento.

O treinador já tem noção do time titular e precisa apostar nisso. Montar o “banco de titulares” e o time que seguirá de forma alternativa também trará certa tranquilidade ao elenco. As diversas possibilidades trazem desconforto também. Afinal ninguém sabe quem joga, quem será relacionado e quem de fato vai atuar. Vem a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, campeonatos extensos e que exigem regularidade. Como Felipão vai se comportar?